A Língua e sua Relação com o Equilíbrio, Controle Motor e ATM

A Língua e sua Relação com o Equilíbrio, Controle Motor e ATM

A Língua e o Equilíbrio

Kathy Dooley 

 

A língua é frequentemente considerada um músculo. Mas não é!
É um grupo de músculos que propulsiona os animais – incluindo você. Mas pode ser que você não tenha percebido isso ainda.
A língua tem os seguintes músculos:

IMG_54661. Genioglosso: Um potente músculo conectando a língua à mandíbula.

2. Hioglosso: Um importante músculo que conecta a língua ao osso hióide, que ajuda a manter as vias aéreas estabilizadas.

3. Estiloglosso: O crucial músculo estabilizador que conecta a língua ao osso temporal do crânio.

4. Palatoglosso: O músculo que ancora a língua ao palato mole.

5. Músculos Intrínsecos: Os músculos transversos, verticais e longitudinais são como os paraespinais da coluna vertebral, dando à língua grande poder arquitetônico.

A língua é conectada dos lados à faringe, mais conhecida com a parte superior do tubo de deglutição.
Fiquei surpresa quando participei de uma aula de Qi Gong tempos atrás (N.T: Técnica milenar chinesa, que não cabe em uma pequena nota explicativa. Como muitas coisas relacionadas à cultura chinesa, o Qi Gong tem múltiplos significados e aplicações) e o instrutor me deu a seguinte instrução:
– Mantenha a língua no céu da boca.
Naquela época eu não conhecia anatomia como hoje. Ele estava tentando ancorar as grandes partes móveis do corpo à cabeça, para que eu tivesse uma melhor percepção espacial. E funcionou muito bem! Eu imediatamente me senti mais equilibrada, com uma melhor conexão com meu núcleo (N.T: Tradução da palavra “core”) e meus pés.
Se a língua está no céu da boca, você está conectando o palato, a faringe, o osso hióide, a articulação temporomandibular (ATM) e o crânio.
Isso estabiliza as vias aéreas, para poder respirar melhor, enquanto ancora a ATM para que não haja desvio desta articulação (N.T: Ver os artigos: O Uso da Articulação Temporomandibular no Controle Motor; Centro de Gravidade e Articulação Temporomandibular). Agora, após essa ação (N.T: Língua no céu da boca), o corpo estará mais equilibrado proporcionando melhor movimento.
Há pouco eu sugeri a uma paciente minha com problemas de equilíbrio e respiração que caminhasse pela cidade (N.T: Nova Iorque no caso) com a língua no céu da boca. Ela ficou admirada de como era difícil para ela essa tarefa e de como isso fez com que ela se sentisse muito mais equilibrada.
Faça a tentativa, como sempre, é com você.

 


O Nervo Hipoglosso

Kathy Dooley 

 

O nervo hipoglosso é o 12º nervo craniano, intimamente conectado com o 1º nervo cervical.

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O nervo hipoglosso controla a maioria da musculatura da língua, com exceção do músculo palatoglosso (que é inervado pelo nervo vago).

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O nervo hipoglosso sai do crânio através do canal hipoglosso, um canal localizado dentro do côndilo occipital. Portanto, a função do nervo é diretamente afetada pelo movimento da articulação atlanto-occipital. Este é um movimento do crânio relativo à coluna cervical, uma articulação condilar (biaxial) que permite o movimento de “sim” da cabeça.
O nervo hipoglosso pega carona nas fibras que saem da primeira vértebra cervical para o controle do hióide, assim como o nervo tireohióideo. Portanto, a posição da língua é imperativa para um retorno de informação da posição do osso hióide para a articulação da fala, deglutição e estabilização das vias aéreas para respiração.

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O nervo hipoglosso também pega as fibras nervosas de C1 para o músculo genio-hióideo conectando ainda mais a língua ao movimento da articulação temporomandibular (ATM).
O controle da língua é uma atividade crucial para o movimento apropriado do palato, faringe, ATM e osso hióide. A língua é também escrava da posição destas estruturas, juntamente com a colocação do crânio, devido à inserção do estiloglosso ao osso hióide.
Aqui estão 3 músculos muito importantes da língua e suas inserções ósseas:
  • Estiloglosso: Processo estiloide, osso temporal.

  • Hioglosso: Osso hióide.

  • Genioglosso: Tubérculo genial superior, mandíbula.

 

Podemos avaliar a posição da língua e sua transferência para funções distais, ao checar essas funções em particular:
  1. Protrusão da língua.

  2. Elevação da língua.

  3. Desvio da língua e rolamento (movimento lateral).

 

Em uma posição de repouso, para a respiração ideal, a língua deve estar em uma posição plana ao longo de seu comprimento e encostar-se ao palato duro (céu da boca). A ponta da língua deve levemente encostar-se à parte de trás dos dentes incisivos.
Esta posição puxa a epiglote para frente, permitindo completo acesso à abertura da laringe (abertura das vias aéreas). Portanto, a estabilidade intrínseca do núcleo para a inspiração pode ser obtida somente pelo posicionamento adequado da língua.
Se a ATM está cerrada em demasia (N.T: Em outras palavras, “apertando a mandíbula” ou ranger os dentes) ou facilitada em algum desvio (N.T: Ou seja, os músculos que movem a ATM para os lados estariam hiperativos/facilitados), isso imediatamente altera a posição da língua. Isso pode encorajar a ATM a tornar-se hiperativa e músculos intrínsecos da língua hipoativos/inibidos, uma vez que a língua não está posicionada apropriadamente no palato duro.
Em virtude de o nervo hipoglosso inervar estes músculos da língua, o posicionamento da cervical é crucial para a estabilidade. Se a articulação atlanto-occipital está comprimida, o nervo hipoglosso pode estar sofrendo uma regulação descendente ao longo de seu trajeto até o côndilo occipital, criando uma diminuição do controle motor aos músculos da língua (N.T: Ou seja, causando inibição dos músculos da língua por ele inervados).
Aspectos a serem checados se a língua não consegue fazer bilateralmente a elevação, protrusão, rolamento e desvio lateral:
  1. Compressão da articulação atlanto-occipital no mesmo lado da disfunção.

  2. Desvio da ATM do mesmo lado ou lado oposto à disfunção.

  3. Problemas na deglutição.

  4. Problemas com os músculos intrínsecos abdominais (problemas no preenchimento, no momento da inspiração, do lado da disfunção).

 

Se existem problemas de manter a estabilidade abdominal, a posição da língua é o fator que pode estar impedindo. Comece avaliando os músculos intrínsecos abdominais no momento da inspiração (N.T: Uma avaliação da respiração), uma vez que a língua é conectada à estabilidade intrínseca do núcleo.
Se existe compressão cervical nessa estória, definitivamente avalie as posições da língua.
E se o trabalho em cima da ATM não está resolvendo o problema da perda da estabilidade intrínseca, definitivamente avalie a posição da língua. O nervo hipoglosso se espalha na forma de 2 triângulos na parte anterior do pescoço, onde ele é suscetível à compressão pelos músculos escalenos e milo-hióideos (ver imagem abaixo).

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Quando prescrever liberações das posições tensas da língua, peça para que o indivíduo mova a língua para o lado oposto da posição que está hiperativa/tensa. A fim de fazer isso, pode ser necessário usar um depressor da língua para estimular as partes que você está encorajando a estimular.
Em crianças, os pais podem ter de encorajar a criança a imitar o movimento que se está tentando estimular.
Avalie a língua e seu suprimento eferente nervoso a partir do nervo hipoglosso. Você pode se surpreender do quanto a função da língua afeta a estabilidade ao conseguir aumentar o espaço do fluxo de ar na inspiração.
Como sempre, é com você.

Link dos artigos originais em inglês:

 

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